Seja Bem Vindo

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

Fernando Pessoa

sábado, 10 de setembro de 2011

Bem?

Hoje acordei indiferente. Um dos melhores amigos me ligou bem cedo, me fez uma pergunta: Você esta bem? Eu prontamente respondi que estava bem. Depois liguei para outro amigo, não queria falar nada demais, mas só o fato dele falar, já seria algo pra me distrair.
     Lembrei da minha infância varias vezes ao dia, no meu trabalho, quase não senti o esforço, mesmo estando lotada de tarefas, minha cabeça vôo. Por mais que tente, ela não fica no pescoço, voa e quando esta muito distante, ela volta e vai ate aquele. As coisas parecem normais, mas não estão fazendo sentindo. Preciso de algo que me faça viver novamente. Meu fluxo de consciência está mais ativo que nunca, penso em mil coisas ao mesmo tempo, e elas aparecem como fotografias.
      Um dos meus amigos me aconselhou a partir para outra, concordei, e disse que já estava partindo, o que não contei, e que vou para outra, mas ele não sai de mim. Fico pensando no que ele está pensando, e penso de em como ele está bem e eu tão mal, por que foi tão cruel comigo? Faço-me essa pergunta e logo, me respondo: Será que foi mesmo? Ou fui eu que estraguei tudo? Quero sair desse oceano solitário, desse deserto, dessa jornada sem sentindo.
      Não me sinto a vontade em falar isso com alguém, porque uma pessoa desiludida se torna chata, por isso finjo estar bem. Acredito que um dia vai se cicatrizar essa ferida, mas deixará uma marca forte. E a vida toda terei que lembrar, e superar todos os dias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário